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quinta-feira, 5 de maio de 2016

Entrevista para jornal Estado de Minas

O Perfil Cognitivo do Espaço Educacional é tema da reportagem "Ajuda bem-vinda na seleção", das versões impressa e online do jornal Estado de Minas. Confira o texto:

As entrevistas de emprego são a porta de entrada dos candidatos nas empresas, mas muitos acabam não conseguindo se sair bem por conta do nervosismo. Em muitos casos, a entrevista envolve dinâmica e a timidez pode até contar pontos. Diante disso, os recrutadores, muitas vezes, não conseguem extrair completamente as habilidades e dificuldades dos candidatos. Em meio ao cenário econômico que o país está vivendo, as empresas não podem dar passos em falso na hora da contratação. Por isso, a aposta deve ser certeira, para evitar desgaste e gastos desnecessários. Sendo assim, vale investir em tecnologia e inovação para tornar o processo seletivo mais eficiente, leve e eficaz. 

Há 22 anos no mercado, o Espaço Educacional desenvolveu um método ideal para ajudar as empresas em suas contratações. O Perfil Cognitivo é capaz de dar resultados exatos das habilidades, personalidade e dificuldades de cada candidato. O teste é feito respondendo a perguntas objetivas, podendo ser presencial ou via Skype. O resultado é analisado pela equipe da instituição, que gera relatório sobre cada candidato. "O Espaço Educacional é um local que trabalha com projetos personalizados na área de educação. Atendemos crianças, jovens, adultos e maturidade. O foco é aprender com produtividade e prazer em qualquer etapa da vida, trabalhando autoconhecimento paralelamente", explica a diretora Jamile Coelho, que é coach em educação. 

"A análise do perfil paralelamente à trajetória profissional, sempre auxiliará na tomada de decisões. O teste desenvolvido pelo Espaço Educacional também pode ser aplicado pelo RH da empresa, sendo sempre desenvolvido para cada exigência específica. Além disso, o perfil cognitivo pode ser muito útil para líderes que queiram avaliar as equipes e para as promoções, já que muitas pessoas não se adaptam às funções ou responsabilidades", ressalta Jamile. "Atendemos também empresas que querem traçar perfis cognitivos dos colaboradores, líderes e de candidatos a vagas de emprego."

Competências 

Jamile esclarece que qualquer entrevista de emprego, para ser eficaz, precisa, primeiro, verificar se o perfil da pessoa se encaixa na função que exercerá e, depois, competências técnicas e socioemocionais. "A entrevista sempre serve para checar a maturidade e perceber, pela construção verbal e não verbal, as informações que a pessoa passou por escrito, seja em currículo ou questionário inicial. pela entrevista e dinâmicas pode-se observar como a pessoa atua nas situações propostas, como interage com as pessoas e como atua na resolução de problemas. Enfim, ela mostra sua inteligência emocional e competências. Não podemos afirmar qual o percentual de eficiência de uma entrevista de emprego, pois isso depende muito da empresa e do momento."

A especialista explica que a timidez não é um defeito. "A pessoa precisa se mostrar preparada para ocupar determinado cargo. Assim, o entrevistador não se preocupará muito com isso, segurança é tudo. E, para se sair bem, é importante se preparar para a entrevista, estudar a vaga, a empresa, dormir e se alimentar bem. O Perfil Cognitivo é uma ferramenta de autoconhecimento, que auxilia a verificar se a pessoa tem potencial para atuar na função solicitada. E, pela entrevista, percebe-se tudo isso. Os líderes podem trabalhar lideranças por habilidades e explorar o potencial de cada pessoa, bem como criar sinergia em um grupo."


segunda-feira, 2 de maio de 2016

‘Professor do futuro será um designer de currículo’



O professor do futuro será um designer de currículo. Entre suas habilidades estão dominar tecnologia, desenvolver currículos mais integrados e ensinar alunos a aprender a aprender, como explica a reportagem do Porvir. Veja detalhes:

O termo é desconhecido no Brasil, mas é bom você já ir se familiarizando com ele. O professor tradicional – esse com o qual estudamos anos e que conhecemos hoje – vem gradativamente se transformando no que em algumas escolas por aqui, mas mais intensamente nos Estados Unidos, chamam de designer de currículo. A principal função desse “novo” profissional está a de desenvolver currículos e projetos interdisciplinares, integrando às novas tecnologias. “O professor designer de currículo é a expressão maior e mais completa do mestre contemporâneo. Vai além de ministrar o conteúdo estrito senso, mas é também responsável por preparar o educando para o hábito de aprender a aprender, desenvolvendo habilidades de aprendizagem que são consideradas imprescindíveis aos profissionais e cidadãos em um mundo centrado na inovação”, afirma Ronaldo Mota, ex-secretário Nacional de Desenvolvimento Tecnológico e Inovação do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação e atualmente professor visitante do Instituto de Educação da Universidade de Londres.

Esses profissionais tanto podem se dedicar exclusivamente ao design de currículo quanto podem ser professores que intercalam essa função com sua prática de sala de aula. De acordo com Mota, eles poderão, por exemplo, criar portais interativos para abrigar suas videoaulas e outros recursos multimídia ou ainda estimular os estudantes para que criem seus próprios blogs. Os portais poderão servir como ambientes – além da sala de aula – para relação permanente entre o educador e os educandos, bem como os educandos entre si.

Mota, que também foi Secretário Nacional de Educação Superior, aponta como outra nova demanda desses designers de currículo a criação de Moocs (Massive Open On-line Course, cursos on-line gratuitos e em grande escala) . “Isso vai ser uma enorme revolução, uma vez que o professor tradicional gradativamente se transformará no designer educacional, que vai precisar dominar a tecnologia para produzir essas aulas”, afirma.

Mas nem tudo é tecnologia. Em escolas onde o modelo vigente inclui aprendizado baseado por projeto, por exemplo, esse profissional cria aulas que envolvem ações transdisciplinares. Na norte-americana High Tech High, que desenvolve esse modelo de ensino, os docentes se reúnem diariamente para discutir como um determinado conteúdo pode se tornar um projeto que envolva a sua disciplina e as dos demais docentes. Um dos pilares da instituição é exatamente ter o professor como um designer, função que empodera o educador e lhe dá a responsabilidade de ser o guia de sua classe.

Na instituição, as aulas são estruturadas em blocos mais longos – ao contrário dos tradicionais tempos de 50 minutos – com o intuito de integrar o currículo, unificando as matérias e facilitando o aprendizado dos estudantes. Física e matemática são ensinadas juntas, assim como história, filosofia e língua inglesa são aglomeradas em única disciplina: humanidades. “Acreditamos na integração do currículo. Em vez de ir a uma aula de história e uma de inglês, o aluno tem um professor de humanidades. A escola tem um time de professores trabalhando para criar projetos juntos. Existe um aluno que aprende colaborativamente, com tutores virtuais, sozinhos, com material impresso ou não. Nós damos a ele a oportunidade de estudar em cada uma dessas modalidades, de acordo com o que cada um precisa”, afirmou Melissa Agudelo durante o Transformar 2013.

Assim como na High Tech High, a rede Summit Public Schools – grupo de escolas californianas que está ajudando jovens de famílias pobres a ingressar na universidade – usa momentos sistemáticos de encontros entre docentes para fazer o design de seu currículo. Nas escolas, os professores desenvolvem projetos de aprendizado interdisciplinares, que normalmente associam as disciplinas curriculares ao cotidiano dos estudantes, para que façam sentido ao que estão aprendendo, com o objetivo de fazê-los pensar criticamente, além de desenvolver suas habilidades cognitivas.

A rede também está construindo sua própria plataforma de aprendizado on-line e são os professores os responsáveis por inserir conteúdos nesse ambiente virtual. A partir do próximo semestre, as escolas Summit vão adotar o modelo de blended learning – conhecido também como ensino híbrido – o que irá ajudar os designers de currículo a trabalharem mais integradamente, já que precisarão se elaborar juntos os conteúdos baseados tanto em ferramentas on-line quanto em momentos presenciais.

Esses encontros também acontecem, semanalmente, na Quest to Learn – escola pública de NY onde os conteúdos são todos trabalhados por meio de games. Em vez de reuniões entre professores e professores, outros profissionais – como coordenadores pedagógicos e designers de games também – se juntam para a criação do currículo escolar, que é integrado e repensado para levar experiências que estejam associadas ao mundo real.

Para Brian Waniewski, diretor de gestão do Institute of Play que aplica a metodologia na escola, esses professores são os responsáveis por redesenhar a experiência do aprendizado. “O futuro da aprendizagem é o nosso futuro. O verdadeiro desafio de quem está desenhando um processo de aprendizado é preparar os alunos para um mundo que não podemos ainda imaginar como vai ser”, afirmou Waniewski em entrevista ao Porvir.

Segundo o professor brasileiro Mota, os designers de currículo surgirão naturalmente, aprendendo de forma involuntária, na prática. “Ainda é uma incógnita saber se as universidades estarão preparadas para formá-los. Desburocratizar o currículo nacional seria fundamental para que esses profissionais conseguissem remodelar seus planos de aula, além de criar programas e disciplinas mais dinâmicas, tornando-os também mais empoderados”, afirma.

quinta-feira, 14 de abril de 2016

Escolas ensinam a lidar com as emoções



O Espaço Educacional sempre acreditou na importância da alfabetização emocional. Agora, escolas de São Paulo adotam estratégias para que os alunos desenvolvam habilidades socieoemocionais, como cooperação, empatia, senso crítico e curiosidade. Confira detalhes no texto de O Estado de S. Paulo:

No fim do ano, escolas não esperam que os alunos tenham aprendido só a fazer contas, interpretar um texto ou saber o nome dos Estados brasileiros.

Colégios particulares e da rede estadual de São Paulo estão adotando estratégias para que desenvolvam habilidades socioemocionais, como cooperação, empatia, senso crítico e curiosidade.

"Essas habilidades estão intimamente ligadas às cognitivas. São elas que potencializam e aprofundam o aprendizado. A escola que decide trabalhar o lado socioemocional precisa mudar a sua estrutura, suas aulas. Porque esse não é um trabalho intuitivo, ele precisa ser planejado", observa Márcia Almirall, orientadora pedagógica do Colégio Santa Maria, na zona sul de São Paulo.

No ano passado, a escola capacitou os professores para que as práticas pedagógicas fossem alteradas em sala de aula. Para os alunos do fundamental 1 (do 1º ao 5º ano), as carteiras foram alteradas para facilitar o trabalho em grupo. Os docentes também são estimulados a darem aula em locais diferentes, como no pátio ou no jardim.

"Em todas as disciplinas é possível desenvolver as habilidades socioemocionais, se nos planejarmos. Então, nas aulas de matemática, todos trabalham em grupos. Em português, fazem rodas de conversa para discutir a disciplina. Em tudo dá para trabalhar, se soubermos estimular os alunos da maneira correta", afirma Márcia.

O ensino socioemocional foi adotado em 2015, de forma experimental, em 17 escolas da rede estadual. Para este ano, o número subiu para 145, todas com período integral e ensino fundamental 1. "Estamos consolidando a ideia de que não é possível fazer um bom trabalho sem focar nessas habilidades (socioemocionais). Com o tempo, esse projeto vai ser ampliado para todas as unidades", diz Ghisleine Trigo, coordenadora de gestão da Educação Básica da Secretaria Estadual de Educação.

Suporte

A ideia ao desenvolver habilidades socioemocionais nas crianças é dar ferramentas para que consigam lidar da melhor forma em situações de conflito e assim reduzir a vulnerabilidade dos estudantes. A escola estadual Professora Irene Ribeiro, na Vila Carrão, zona leste, foi uma das que recebeu o projeto no ano passado. Todos os professores foram capacitados para o novo modelo, aplicado em todas as disciplinas.

Elaine Carapiá, que dá aula para o 3ºano, conta que as mudanças fizeram com que o professor se tornasse uma peça menos central na sala de aula e mais um mediador para que os alunos tivessem mais espaço para tirar dúvidas e aprender com os colegas. As aulas também falam sobre os sentimentos e como lidar com eles.

"Eles vivenciam situações muito difíceis em casa que podem impactar o aprendizado. Outro dia um estudante disse que os pais estavam brigando e jogaram as alianças no lixo. O menino, de 7 anos, começou a cantar e aconselhou os pais a se acalmarem. Ele aprendeu na escola que, quando se está nervoso, é importante respirar e disse isso para os pais em um momento de conflito", relata Elaine.

Em todo início de aula, os alunos se sentam em uma roda para falar como estão se sentindo. Segundo ela, é importante estimular as crianças a se expressarem para ganhar confiança. "Mudamos muita coisa. Não temos mais apenas uma relação entre aluno e professor, mas entre seres humanos."

Preconceito

No colégio Pio XII, na zona oeste, os adolescentes do ensino fundamental 2 (do 6º ao 9º ano) têm uma vez por semana uma aula em que são estimulados a trabalhar com as emoções e a abordar temas em que podem ter preconceitos. A disciplina utiliza dinâmicas em grupo e exercícios em que a turma conta histórias ou assiste a filmes sobre temas como a morte ou as drogas.

"Percebemos que, quando eles entendem o que sentem nas mais diversas situações, se tornam mais tolerantes, prestativos, têm mais empatia com os colegas", afirma a psicóloga e professora Patricia Prado.

Para ela, como as crianças passam a maior parte do tempo no colégio e desenvolvem as primeiras relações sociais no ambiente escolar, é responsabilidade dos colégios não só transmitir conhecimento, mas também valores morais e éticos. "Além disso, um aluno que possa ter problemas em casa ou em se relacionar com os colegas, e não sabe como lidar com essas situações, vai ter queda no rendimento escolar."

No colégio Eduque, na zona sul da capital, estudantes do ensino fundamental 1 também contam com aulas voltadas para essas habilidades, uma vez por semana. Com livros e histórias, os professores desencadeiam discussões sobre as emoções.

"Com repertórios leves e lúdicos, ensinamos a entender o que é sentir raiva, tristeza, solidão, felicidade. Com esse conhecimento, eles se tornam mais respeitosos e compreensivos com os colegas", observa a coordenadora pedagógica Lucelena Martins de Souza.

Ao abordar esses temas, Lucelena considera que os docentes abrem um canal de confiança e diálogo com os alunos. "Quando eles têm um problema, sabem que podem contar para nós, que vamos ajudar. Assim, ninguém fica excluído ou sem a atenção devida."

terça-feira, 29 de março de 2016

Como levar o debate sobre política e democracia para a escola



A política deve ser tema de sala de aula, segundo especialistas consultados pelo Porvir, que defendem a importância de tratar, no contexto atual, de questões relacionadas ao funcionamento das instituições políticas, princípios da democracia e cidadania. Confira trechos do texto retirado do site de educação:

Pedro Markun, um dos autores do livro Quem Manda aqui?, que discute alguns mecanismos políticos de forma leve, colorida e própria para crianças, é um dos que defende tratar do assunto desde cedo . “Eu acredito que quando a gente conversa com a criança sobre qualquer coisa, ela se instrumentaliza para entender melhor esse assunto”, afirma Markun, que faz parte do Laboratório Hacker.

Ele conta que, quando sua primeira filha nasceu, pensou como iria conversar sobre política com ela. Em contraponto, defende que “é uma burrice pensar que crianças não conseguem conversar sobre assuntos complexos. Você fala de política com seu filho, só não percebe”. A ideia do livro Quem Manda Aqui?, portanto, é ser um instrumento para que as famílias consigam iniciar o debate com seus filhos. “Criar mecanismos que facilitam um primeiro ponto de contato com a política é extremamente saudável”.

Além disso, Markun ressalta que é preciso mostrar aos pequenos que, apesar de ser um campo complexo, onde existem divergências de pensamento, a educação política é o melhor caminho para formar adultos conscientes. “É muito importante que a gente comece a educar as crianças politicamente desde cedo, senão a gente vai ter uma classe adulta política igual a de hoje, de adultos despreparados para falar sobre política, raivosos e que não conseguem discutir amigavelmente com o coleguinha”.

E como aproximar crianças e adolescentes desse debate? Para Bruno Bissoli, cofundador e educador do Pé na Escola, um negócio social voltado para educação em direitos e democracia, os alunos já demonstram naturalmente interesse em temas como direitos humanos e política. No entanto, a escola precisa abrir espaço para que eles possam se expressar. “Isso é essencial para o exercício da nossa cidadania, mas desde sempre acabamos tendo que aprender como autodidatas. A escola se mantém muito distante disso, sendo que é uma matéria essencial para que a gente atue como um cidadão pleno”, reflete.

Antes de inciar um diálogo sobre o tema, a também cofundadora Vanessa Pinheiro afirma que os educadores devem sair da posição de quem tem a verdade, para ouvir o que os estudantes têm a dizer. “O professor também tem um papel de trabalhar dentro de si os seus próprios preconceitos e discursos que ele está reproduzindo”, afirma. Segundo ela, uma estratégia interessante é incentivar que os alunos possam criar suas próprias regras internas para que o debate possa dar espaço a todos.

Ao dar voz para os alunos, os educadores devem se colocar em uma posição de mediador. De acordo com Mariana Vilella, cofundadora e educadora do Pé na Escola, eles precisam analisar se a conversa está fluindo de forma democrática e se todos estão conseguindo colocar o seu posicionamento. “O educador tem um papel bastante importante de mediar o diálogo, uma coisa que está faltando tanto na política e na educação”, explica.

Em tempos de discussões acirradas, Mariana menciona que é importante tornar o debate mais complexo, saindo de uma divisão polarizada entre bem e mal, para tentar entender como existem outras leituras da realidade. “Temos que colocar o estudante em uma posição que não é confortável para ele e forçar que ele também se coloque no lugar do outro”, afirma. Ela também defende que a escola não fique apenas no diálogo sobre política, mas também proponha a criação de projetos e pesquisas que possam refletir essa lógica de participação democrática. “Mais do que passar conceitos, a nossa preocupação principal é passar uma mensagem sobre o que é o pensar e o agir politicamente.”

terça-feira, 22 de março de 2016

“Professores são agentes e objetos de mudanças”, diz diretora de Harvard



“Professores são agentes e objetos de mudanças”, disse Katherine Merseth, diretora de Harvard. Confira abaixo o texto do Porvir em que a especialista comenta até que ponto podemos nos espelhar no exemplo finlandês e sugere alternativas para a carreira de professor recuperar prestígio:

A cada início de ano letivo, um fenômeno incrível acontece quando um aluno de cinco anos vai à escola pela primeira vez segurando com todas as forças a mão de sua mãe. Ambos parecem assustados até que, ao se aproximar do professor, ela diz: Eu lhe dou meu filho. Com essa história que ilustra a confiança que todos depositam no processo de educação, Katherine Merseth, diretora e professora da Escola de Graduação de Educação de Harvard (HGSE), deu início a sua palestra em defesa daqueles que se dedicam a ensinar e, de quebra, ganhou de imediato o público presente ao auditório do Instituto Singularidades, em São Paulo (SP), na última quinta-feira (17).

Para Merseth, falar de transformação em educação demanda que se entenda o paradoxo no qual o professor está envolvido. “Eles são tanto os agentes quanto o objeto das mudanças. Queremos mudá-los, mas também queremos que façam seu trabalho de forma diferente”, diz. Por mais que governos tenham conhecimento que o modelo atual apresente deficiências e sucessivos programas tenham sido desenhados para trazer soluções, são os professores os principais responsáveis pela implementação de novas práticas. Para que esse novo passo seja dado, no entanto, há uma dependência que educadores desejem, tenham papel ativo e recurso para promover a transformação. E é aqui que ganha importância a formação de professores.

Até por conta disso, a professora de Harvard, que contou recentemente ao Porvir como usa casos reais em suas aulas, reitera que o docente é personagem principal do sistema. “O professor é o fator mais importante para o êxito escolar. Não é o material didático, nem o currículo e nem a escola. E sabemos que, se uma criança tem um professor efetivo e a outra não, em três anos a diferença de desempenho entre elas atingirá 50% e será impossível recuperar”.

De maneira realista, Merseth admitiu que nem seu próprio país e nem a Finlândia podem ser vistos como exemplos a serem seguidos pelo Brasil. “Eu peço que vocês não olhem para o que acontece nos Estados Unidos como modelo de reforma porque não fazemos isso direito. Na verdade, estamos andando para trás. Exigimos prestação de conta por parte de nossos professores, mas não damos apoio e formação para que cumpram seu trabalho da maneira adequada”.

No caso da Finlândia, as especificidades do país o tornam um mundo à parte. “Aprendi muito sobre a Finlândia porque Pasi Sahlberg, um colega finlandês de Harvard, era diretor pelo PISA (sigla em inglês para o Programa Internacional de Avaliação de Alunos, prova aplicada em diversos países incluindo o Brasil) e me ensinou que a Finlândia é muito homogênea e tem poucos imigrantes, nada parecido com o que o Brasil ou os Estados Unidos possuem. As classes socioeconômicas são bem parelhas e não existem escolas privadas. Todos vão para escolas públicas”. Um segundo ponto, segundo Merseth, é que o país também conta com uma rede de apoio social para as famílias. “Quando uma mulher tem um bebê, recebe licença e uma bolsa por parte do governo”. O terceiro diz respeito à menor população do país, que torna o sistema mais fácil de ser administrado. “Sahlberg me disse que se trouxesse um grupo de professores finlandeses para trabalhar em uma comunidade nos Estados Unidos, não esperaria que fizessem um bom trabalho por toda essa questão de apoio”.

A preocupação com o que acontece fora dos muros da escola, segundo Merseth, é um dos fatores que mais dificultam o trabalho em sala de aula. “O papel do professor é ensinar. Se eu tiver uma criança na minha classe que está com fome, foi vítima de abuso ou que não tem um lugar seguro para dormir… ela vai ter uma grande dificuldade na hora de aprender. Mas meu trabalho não é só tomar conta dessas questões. Se eu não ensinar essa criança a ler, ninguém irá. Por mais duro e difícil que isso possa parecer, eu quero que professores estejam concentrados em ensinar e não tanto nas questões sociais. Isso requer que outros integrantes da sociedade atendam os casos de falta de moradia, fome e abuso. A cada momento que o professor não está ensinando, cria-se um déficit”.

Valorização da carreira

Apesar da fala inicial de que a Finlândia tem um ambiente mais preparado ao desenvolvimento do professor, Merseth reconhece que o país tem ideias, como o recrutamento de professores, que podem ser adaptadas às realidades americana e brasileira. “Na Finlândia, eles só formam a quantidade de professores que vão precisar. Nos EUA, formamos centenas de milhares e qualquer um pode virar um profissional. Se restringimos quem pode entrar, aumentaríamos o prestígio. Parece contraintuitivo, mas é algo que precisamos fazer para resgatar o respeito da profissão”.

Merseth também levanta a possibilidade de diversificação nas maneiras para encontrar profissionais capazes de fazer a diferença em sala de aula. Ela cita como exemplo o programa Harvard Teacher Fellows, o qual é responsável, que oferece bolsas especiais e gera enorme competição entre alunos de outras áreas da universidade. Além disso, aconselha que governos passem a olhar atentamente para os profissionais que estão na metade de suas carreiras, na casa dos 40 anos, que possuem ampla qualificação e podem estar cansados do ambiente corporativo. “Eles sabem como a ciência e a matemática funcionam. E quando alunos perguntarem ‘Para que serve isso?’, terão uma resposta e também poderão trazer sua expertise e seu prestígio para dentro da sala de aula.”

Formação inovadora

Assim como mostra a série sobre formação inicial publicada pelo Porvir, Merseth argumenta que um professor precisa dominar o assunto que vai ensinar e, para que isso ocorra, deve aprender a teoria com conexão direta com a prática em sala de aula.

“Ensinar em uma classe com 30 alunos não é fácil e, para melhorar, deve-se praticar, tal como no esporte”, diz. Para isso, sugere a adoção de mentoria e de gravação das aulas (“Você percebeu quando fez isso?”, “O que aquele aluno fez ali?”) para que professores possam trocar experiências entre si, assim como acontece em áreas como a medicina. Aqui, ela cita um exemplo comum em hospitais, onde médicos mais novos acompanham os que têm maior tempo de casa durante visita ao quarto dos pacientes para adquirir conhecimento prático. “[Atualmente], assim que a aula começa, a porta é fechada. Fica apenas o professor e suas crianças. Isso não acontece na medicina, na administração ou no direito. Precisamos visitar uns aos outros e dizer ‘venha me assistir dando aula e me ajude a melhorar'”.

Contra o senso comum

A professora de Harvard também diz que professores e tomadores de decisões precisam manter altas expectativas sobre todos os alunos e acreditar que todos são capazes de aprender. “Nem todo mundo acredita nisso e prefere dizer ‘Ah, ele é pobre, é de uma área rural, desculpas, desculpas e mais desculpas'”.

Da mesma forma, Merseth contesta o fato de que o professor tende a melhorar constantemente ao longo de 30 anos de carreira. Mas, calma, a responsabilidade mais uma vez deve ser dividida e recai sobre a necessidade de cursos de formação contínua. “Pesquisas mostram que existe um ganho enorme nos cinco primeiros anos e depois começa a se estabilizar. Não é que o professor esteja cheio de conhecimento e perfeito, mas é que não fazemos mais nada para que esse ganho continue à maneira que ele ganha experiência”.

Por fim, a professora, que acumula 35 anos de experiência, na educação pediu que todos considerem comandar uma sala de aula e fazer um curso de educação em algum momento da vida. “O futuro depende disso. Por quê? Porque é a única maneira que o Brasil ou qualquer outro país tem de atender às necessidades de seus cidadãos. O futuro do mundo depende de nossas crianças. Na noite passada, olhei algumas estatísticas que diziam que algo perto de 23,8% de sua população tem menos de 14 anos. Essas crianças são o futuro. Eles são 100% do futuro desse país. O que poderia ser mais importante?”, conclui.

quinta-feira, 3 de março de 2016

Tendências que continuam e surgem na educação



Confira as tendências que continuam e as que surgem na educação, segundo dados apresentados por Priscila Gonsales, do Instituto Educadigital:

Tendências que continuam

1 - Educador como facilitador da aprendizagem
Surge no final do século XIX, com o movimento Escola Nova, que criticava o modelo tradicional de ensino baseado na transmissão de conteúdos. Continua sendo desafio, seja no ensino básico ou no superior.

2 - Interdisciplinaridade e multidisciplinaridade
Chegou no Brasil na década de 1960, mas só ganhou destaque nos anos 90 com os Parâmetros Curriculares Nacionais. Integração de conteúdos em áreas do saber. Bastante usada na pedagogia de projetos. 

3 - Pedagogia de projetos (ou metodologia de projetos)
Data do início do século XX e tem como um dos principais teóricos John Dewey. A prática consiste em criar projetos investigativos que aliam interdisciplinaridade para tornar a aprendizagem ativa e significativa.

4 - Aprender a programar
Remete à história da educação digital no Brasil, na década de 1980, quando começaram as primeiras pesquisas acadêmicas e experiências educativas a partir da linguagem LOGO, criada no MIT.

5 - Inteligências múltiplas
Teoria baseada no trabalho de Howard Garner, na Universidade de Harvard, na década de 1980, sobre os diversos tipos de inteligência: lógico-matemática, linguística, musical, espacial, cinestésica etc.

6 - Relação escola-comunidade
Considerar o envolvimento da escola com as famílias dos alunos e a comunidade do entorno também ganhou enfoque a partir da década de 1930, com o movimento da Escola Nova.

7 - Trabalho diversificado
Abordagem baseada na teoria de Vigotsky, considera o trabalho pedagógico em três níveis: coletivo, pequenos grupos e individual. Valorizar a diversidade de perfil dos estudantes.

8 - Desescolarização
Surge nos anos 70, baseada no livro "Sociedade sem Escolas", de Ivan Illich, que criticava o conhecimento institucionalizado. Suas ideias hoje ressoam, já que a internet ampliou as possibilidades de aprendizagem.

Tendências que surgem

1 - Design Thinking na educação
Abordagem baseada nos pilares "empatia, colaboração e experimentação" para a resolução de desafios cotidianos da escola e/ou da sala de aula. O foco é fazer com pessoas e não para pessoas. 

2 - Conteúdo e recursos abertos
Estudar, criar e compartilhar ficaram muito mais simples com a internet. Uso de software livre e recursos educacionais em licença aberta permite a ampla distribuição e adaptação de materiais. 

3 - Direitos humanos e relações de gênero
A redação do ENEM de 2015 já trouxe o tema da violência contra a mulher. É fundamental a educação abordar questões como racismo, homofobia, intolerância religiosa, segurança na internet e outros. 

4 -  Cidadania digital e participação política
Campos vasto e importante: entender como funcionam e quais as atribuições das instâncias políticas do país, colaborar em consultas públicas, educação financeira e educação para a sustentabilidade. 

5 - Experimentação lúdica
Atividades mão na massa para criar protótipos de projetos em espaços makers, hackerspaces e uso de estratégias e dinâmicas de gameficação (jogos) na elaboração de roteiros de investigação e aprendizagem. 

6 - Educação integral
Mais do que falar em educação em tempo integral, visa promover a ampliação de tempos, espaços e oportunidades educativas além da sala de aula, valorizando a relação família e comunidade do entorno. 

7 - Habilidades socioemocionais
Com foco nos desafios da sociedade do século XXI, visa a inclusão intencional no projeto pedagógico de competências como resolução de problemas, resiliência, trabalho em equipe, autoavaliação etc. 

8 - Economia colaborativa e mobilidade digital
Com a internet e as mídias sociais em dispositivos variados, cada vez mais pessoas se organizam em redes e comunidades para cocriar projetos diversos, empreender, trabalhar e contribuir coletivamente.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

7 Princípios da Educação Finlandesa



O sistema educacional finlandês é considerado um dos melhores do mundo. Confiram abaixo sete princípios dele, listados no texto do Incrível.club:

1. Igualdade...

... das escolas;

Lá não existe isso de ’escola de elite’. A maior das escolas acolhe 960 alunos, e a menor, 11, mas todas possuem as mesmas qualidades, recursos e financiamento, proporcionalmente ao seu tamanho. Quase todas as escolas são estatais, embora meia-dúzia delas sejam em parte privadas. O diferencial dessas escolas particulares, além das mensalidades, é que os alunos levam um ritmo mais pesado; em geral são colégios de formação especial que seguem modelos pedagógicos específicos: o de Montessori, de Freinet, de Morton ou de Waldorf. Escolas de idiomas, como de inglês, francês e alemão, também são particulares.

E, seguindo esse mesmo princípio de igualdade, na Finlândia existe um sistema paralelo de ensino da língua finlandesa que vai do jardim da infância à universidade. E também, no norte do país, na Lapônia, onde vive o povo lapão (e o Papai Noel), há o ensino de seu idioma nativo.

Antes, os finlandeses eram proibidos de escolher em qual escola seus filhos deveriam estudar e tinham de levá-los à que estivesse mais perto de casa. Hoje se revogou essa proibição, mas a maioria dos pais continua levando seus filhos nas escolas que ficam em seus bairros, já que todas são igualmente boas.

... de todas as matérias;

Se especializar numa matéria em detrimento das outras não é algo bem visto. Por exemplo, lá ninguém pensa que matemática é mais importante do que educação artística. Pelo contrário: alunos com queda para o desenho, para a música ou para os esportes são o critério para a formação de classes especiais.

... dos pais;

A profissão ou status social dos pais dos alunos são informações que os professores ficarão sabendo apenas se for necessário. Eles são proibidos de perguntar aos alunos qualquer coisa nesse sentido.
... dos alunos;

Os finlandeses não classificam os alunos segundo suas capacidades ou aspirações profissionais, tampouco há alunos ’bons’ e ’maus’. É proibido fazer comparações entre alunos. Tanto os alunos mais inteligentes quanto os que têm dificuldade para aprender estão misturados aos demais, inclusive aqueles com deficiências físicas, apesar de que podem ser formadas classes especiais para alunos com deficiência visual ou auditiva. Os finlandeses tentam ao máximo integrar à sociedade aquelas pessoas que necessitam de atenção especial; a diferença de desempenho entre os alunos finlandeses é a menor do mundo!

... dos professores;

Não há professores favoritos ou odiados, nem os professores têm alunos ou classes favoritas. Qualquer desvio dessa harmonia estabelecida é passível de anulação do contrato do professor. Os professores finlandeses têm o dever de cumprir na íntegra o que se espera de seu trabalho, nem mais nem menos, além do que, todos se consideram igualmente importantes na sala de professores. Por exemplo, os professores de física, de artes, de literatura são igualmente estimados.
... de direitos entre adultos e crianças.

Os finlandeses chamam isso de ’tratamento respeitoso aos alunos’. Desde a primeira série são explicados aos alunos os seus direitos, inclusive o direito de prestar queixa de algum adulto a um assistente social. Isso estimula os pais a entenderem que seus filhos são indivíduos independentes, e que as pessoas são não podem ofende-las com palavras ou com violência física. Humilhar os alunos é outra coisa que os professores são proibidos de fazer, mesmo que lá as leis trabalhistas lhes permitam fazê-lo. A peculiaridade mais notória é que cada professor é contratado por apenas um ano, havendo possibilidade de se renovar ou não esse contrato. E além de tudo, professores auxiliares recebem um salário de 2500 euros, e os titulares, de 5000 euros.

2. Gratuidade

Além da educação, também são gratuitos:

As refeições;

As visitas a museus e atividades extra-classe;

O transporte que leva e traz os alunos se a escola estiver a mais de dois quilômetros de suas casas;

Todos os livros didáticos e material escolar, como calculadoras, computadores individuais e tablets.

É proibido cobrar qualquer taxa dos pais!

3. Individualidade

Para cada aluno se estipula um plano individual de estudo e desenvolvimento. Essa individualização tem a ver com o conteúdo dos livros didáticos, dos exercícios, quantidade de deveres de classe, de casa etc, e com o tempo com que se planeja realizá-los. O mesmo ocorre com o material que os professores proveem: quais alunos recebem o conteúdo mais complexo e quais os mais simples.

Na mesma aula os alunos realizam exercícios de diferentes níveis de dificuldade e a nota final varia de acordo com as diferentes capacidades de cada um. Se hoje, por exemplo, um aluno consegue fazer os exercícios básicos satisfatoriamente, amanhã lhe será dado um exercício mais complexo. Se ele não conseguir, não tem problema... serão dados exercícios com o nível de dificuldade de ontem.

Nas escolas finlandesas, além da formação-padrão, há duas peculiaridades no processo educativo:
Apoio acadêmico aos alunos retardatários — o que em muitos países seria o papel de um professor particular. Na Finlândia os professores particulares são muito raros, uma vez que que os professores titulares nas escolas já ajudam seus alunos voluntariamente, durante ou depois das aulas.
Educação ’corretiva’ — Está relacionada aos problemas de compreensão do material didático escrito na língua suomi, que é falada em grande parte das escolas da Finlândia. Também serve para atender problemas de memória, dificuldades com matemática ou o comportamento antissocial de alguns alunos. A educação ’corretiva’ é conduzida em grupos pequenos ou individualmente. 

4. Educação Prática

Os finlandeses dizem: «É possível prepará-los ou para as provas ou para a vida. Escolhemos a segunda opção». É por isso que não se dá provas nas escolas da Finlândia, apesar de que, se o professor quiser, ele pode fazer exames de controle. Só existe uma prova obrigatória, no fim do período médio, mas ela pouco influi na avaliação feita pelos professores, nem afeta a nota final dos alunos. E o mais interessante é que os alunos não são preparados para essa prova; eles a farão usando tudo o que aprenderam até então. Nada de passar um mês antes da prova estudando em desespero!

Na escola só se ensina o que pode vir a ser útil na vida. Saber como funciona a caldeira da metalúrgica não tem utilidade. Agora, os alunos finlandeses desde criança sabem o que é um portfólio, um contrato, um talão de cheques, sabem calcular a porcentagem do imposto sobre heranças ou a renda pessoal, como criar um site, como calcular descontos em produtos, desenhar a Rosa dos Ventos e localizar o lugar onde vivem etc...

5. Confiança

Primeiro, não se supervisiona o trabalho de funcionários e professores, nem lhes é dito como devem trabalhar ou como e o que devem ensinar. Existe um sistema centralizado de educação no país, mas ele só propõe um alinhamento básico e recomendações superficiais. Assim, cada pedagogo aplica a seus alunos o método de ensino que lhe parecer melhor.

Segundo, a confiança nos alunos: durante as aulas é permitido fazer qualquer coisa. Se, por exemplo, durante a aula de literatura apresentam um vídeo educativo, e um aluno não estiver interessado, ele pode ir ler um livro se quiser. Há a percepção de que é a própria pessoa quem deve escolher o que é importante para sua vida.

6. Voluntarismo

Estuda quem quiser estudar. Os professores tentarão atrair a atenção dos alunos, mas, se algum não quiser prestar atenção, não tiver interesse ou não for capaz de entender a aula, será orientado depois a que busque por uma profissão prática, porém útil. Um trabalho fácil. A ideia é não ficar recheando o boletim do aluno com zeros e pontos negativos. Claro... saber construir aviões e usinas nucleares não é para todos... alguém vai ter de ser um bom motorista de ônibus!

Tendo isso em mente, os finlandeses dão valor também à escola secundária e técnica: deve-se saber se vale mesmo a pena um aluno continuar o estudo acadêmico num liceu ou se ele deve continuar os estudos na secundária, e é aí que se recorre às escolas técnicas. Na Finlândia ambas as opções são honoráveis.

As aptidões de cada aluno são avaliadas por meio de exames e de consultas com orientadores vocacionais nas escolas.

À primeira vista, o sistema educacional finlandês parece suave e delicado, mas isso não quer dizer que não seja sério. Por exemplo, existe um rígido controle do horário de aulas, todas as faltas devem ser ’repostas’. Se um aluno da 6ª série faltar à aula, seu professor tentará encaixá-lo em algum outro horário de outra turma da 6ª série, para que este reponha a aula... como se lhe dissessem: «Sente aí e repense sua vida». E se esse aluno começar a perturbar os colegas na aula de reposição, o tempo que passou ali deixará de ser contado; se ele não quiser fazer os exercícios na aula de reposição, ninguém vai chamar os pais, nem ameaçá-lo, repreendê-lo, gritar com ele... nada disso. Já que os pais desse aluno são descuidados com a educação doméstica de seu filho ou filha, o que vai acontecer é uma reprovação no fim do ano. Simples!

E repetir de ano na Finlândia não é nenhuma vergonha, especialmente depois da 9ª série, pois é necessária uma preparação séria para a vida adulta e por isso mesmo é que as escolas lá têm a 10ª série — que, como dissemos no início, é opcional.

7. Independência

Os finlandeses acreditam que a escola deve ensinar ao aluno algo muito importante: ter uma vida independente no futuro! Por isso se ensina a pensar e a adquirir conhecimento por conta própria. Os professores não precisam anunciar os temas de estudo já que tudo está escrito nos livros didáticos. Não é importante decorar fórmulas, mas sim saber procurar nas bibliografias, na Internet, usar a calculadora, ou seja, deixar à disposição dos alunos os recursos necessários para que aprendam a solucionar seus próprios problemas.

E outra coisa... os pedagogos nas escolas não interferem nos conflitos entre alunos, dando-lhes assim a oportunidade de prepararem para as diferentes situações da vida e de desenvolverem sua capacidade de se defenderem corretamente.