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quarta-feira, 28 de setembro de 2016

A importância da arte para as crianças pequenas



Desenhar, pintar com os dedos, brincar com massinha ajudam no desenvolvimento das crianças. Confira a importância da arte no texto abaixo, publicado no site Educar Para Crescer:

Toda criança gosta de desenhar, certo? Com lápis de cor, tinta guache ou na areia, os pequenos de todos os países, épocas e classes sociais desenham suas casas, famílias e plantas, e, depois, mostram o resultado, orgulhosos, mesmo que sejam apenas alguns rabiscos. Desenhar é uma característica importante do ser humano. Tudo começou na época em que o homem vivia nas cavernas e passou a desenhar nas paredes os animais e as atividades que faziam parte de sua vida. "Indo ou não à escola, é natural que uma criança desenhe, porque o desenho já existia antes mesmo da criação da escola", explica a neurocientista e antropóloga Elvira Souza Lima.

As crianças que vivem em tribos e até mesmo as que tem deficiências visuais desenham, já que fazer traços com um lápis ou com o dedo e um pouco de tinta estimula o tato. Elvira Souza Lima afirma que mesmo que o desenho pareça um rabisco, para a criança, é uma narrativa, uma forma de contar uma história. Além disso, o movimento que as mãos e braços fazem ao desenhar são muito importantes para treinar o corpo e o cérebro para a próxima etapa: escrever.

A escrita nada mais é do que desenhar letras e juntá-las em palavras para criar significados. "Para escrever, usamos 21 áreas do cérebro, e algumas delas são desenvolvidas com o desenho", afirma Elvira. "Uma criança que desenha por 15 minutos todos os dias chega às letras naturalmente, já que o movimento para fazer uma letra de mão (letra cursiva) ou de forma (letra bastão) vem do desenho", ela diz.

Assim, uma criança que desenha bastante pode evitar dificuldades com a caligrafia quando estiver aprendendo a escrever. Mas Elvira alerta que as crianças não precisam parar de desenhar para aprender a escrever. As duas atividades podem continuar lado a lado. Ela destaca que, para desenvolver os movimentos que ajudam na escrita, a melhor escolha é o desenho livre. Ligar pontos, preencher ou colorir desenhos prontos é divertido e pode fazer parte das brincadeiras das crianças, mas é importante que ela treine seus próprios traços livres, com retas e curvas.

Brincar com massinha de modelar, argila e criar esculturas com sucata também é importante, pois ajuda a desenvolver a noção de espaço e profundidade. Elvira sugere que, pelo menos uma vez por semana, a criança brinque com algo relacionado à geometria espacial, como fazer castelinhos com bloquinhos de madeira ou montar cenários com caixas de sapato para a historinha de seus bonecos.

No Colégio Hugo Sarmento, em São Paulo, as artes plásticas, como desenho, pintura e escultura, fazem parte do currículo desde a Educação Infantil até o Ensino Médio. Segundo Patrícia Vasconcellos e Rosana Nunes, coordenadoras da Educação Infantil e do Ensino Fundamental I do colégio, as expressões artísticas de diversas culturas, como arte indígena, africana e grega, são destacadas. A vida e a obra dos artistas também despertam interesse nos alunos e inspiram suas próprias produções.

"A arte, ao longo da vida estudantil, tem um papel fundamental na construção de um indivíduo crítico, fornecendo-lhe experiências que o ajudem a refletir, desenvolver valores, sentimentos, emoções e uma visão questionadora do mundo que o cerca", afirmam as coordenadoras.

Já a artista e educadora Stela Barbieri destaca: "Para as crianças não existe separação em os campos da arte, como música e pintura. Elas percebem o mundo com todos os sentidos". Para ela, que é assessora de artes da escola Vera Cruz, em São Paulo, e foi curadora das ações educativas da Bienal de Arte de São Paulo, a relação da criança com a arte não acontece apenas na escola. Ela explica que a criança participa de situações em que a relação com a arte acontece naturalmente, como conhecer as texturas em uma feira e os aromas na cozinha, ou brincar no quintal. "O contato com a arte não precisa ser apenas escolarizado", diz.

quarta-feira, 21 de setembro de 2016

Perfil Cognitivo e Inteligência Múltiplas



O Perfil Cognitivo é um recurso de autoconhecimento oferecido pelo Espaço Educacional. Um dos detalhes que analisa são as Inteligências Múltiplas (linguística ou verbal, lógico-matemática, visoespacial, sonora ou musical, cinestésico-corporal, interpessoal, intrapessoal e naturalista). Assim, pode-se descobrir as áreas de interesse da pessoa, onde se localizam suas habilidades e talentos. 

As inteligências múltiplas podem ser utilizadas para aliar vocação com profissão, descobrir canais saudáveis para liberar o estresse e estimular a criatividade. Confira detalhes:

O que é ser inteligente no século 21?

Gardner quebrou o paradigma do que é ser inteligente quando criou a teoria das Inteligências Múltiplas. Ser inteligente é ter consciência de seu potencial. Usar com disciplina e paixão para resolver problemas, em benefício de causas e pessoas.

Quais são minhas as áreas de interesse e habilidades ou talentos?

Sabemos que cada um de nós tem um potencial para cada inteligência. No entanto, as quatro predominantes representam nossas áreas de interesse, onde estão nossas habilidades ou talentos.

Quais são os canais que posso escolher e utilizar para liberar o estresse de forma saudável?

Ajudar o estudante a descobrir quais as inteligências que podem funcionar como um canal para liberar o estresse de forma saudável é algo muito importante para que ganhe qualidade de vida. Por exemplo, atividade física (cinestésico-corporal); música (sonora ou musical); artes (cinestésico-corporal e visoespacial); contato com natureza e animais, jardinagem ou horta (naturalista).


quinta-feira, 15 de setembro de 2016

Universidade Shure no Japão: educação democrática


A Universidade Shure surgiu em 1999, em Tóquio, no Japão, e é uma das experiências pioneiras no mundo na adoção dos princípios da educação democrática (liberdade na aprendizagem e gestão coletiva) no contexto universitário. Alex Bretas entrevistou Kageki Asakura, um dos criadores da universidade, na IDEC@EUDEC 2016, uma conferência internacional que reúne todo ano pessoas que empreendem projetos de educação democrática. Conheça melhor a iniciativa por meio de trechos do bate-papo:

Alex: Existem várias coisas que eu gostaria de saber mais sobre você e a universidade Shure. Em primeiro lugar, quero te perguntar sobre um conceito. Você poderia me dizer qual é sua visão sobre aprendizagem? O que essa palavra significa para você? Como esse significado afeta seu trabalho?

Kageki: Há duas coisas que compõem a aprendizagem para mim: primeiro, me conhecer, saber quem sou eu. Descobrir quem eu sou é uma grande motivação para que eu aprenda. Aprender significa para mim, primeiramente, saber quem sou eu. Assim, ao aprender, eu começo a descobrir muitas coisas sobre mim mesmo. A segunda coisa que compõe o aprendizado é criar minha própria compreensão sobre o mundo e a sociedade. É importante ter em mente que não se trata do entendimento de um outro, e sim do meu entendimento único a respeito da minha comunidade, sociedade, do mundo que me cerca e do território onde vivo.

Alex: Incorporando esse entendimento a respeito da aprendizagem, você poderia me contar como a história da universidade Shure começou e como foi o seu envolvimento nisso?

Kageki: Desde 1992, eu trabalhava como professor de Ensino Médio na escola democrática Tóquio Shure. Os estudantes tinham ampla liberdade para aprenderem, mas quando eles se formavam e saíam da escola, se eles quisessem continuar estudando eles precisavam ir para outro lugar, talvez faculdades ou universidades.

No entanto, no Japão infelizmente as universidades não são apropriadas para que os estudantes formados em escolas democráticas estudem. Em primeiro lugar, para entrar nas universidades, eles precisam ser aprovados em provas muito competitivas. Para você ter uma ideia, muitos estudantes fora das escolas democráticas se preparam para essas provas durante 9 ou 10 anos. Muitos deles começam com 8 ou 9 anos a frequentar escolas preparatórias para o vestibular depois do período regular da escola. No Japão esses lugares são chamados escolas “cram”. Eles memorizam toneladas de conhecimento apenas para se preparar para as provas que terão de enfrentar anos depois. Ou seja: desde muito cedo eles estão lá memorizando, memorizando, então é realmente muito competitivo. Contudo, os estudantes das escolas democráticas não entendem a razão disso. É perda de tempo para eles. O que acontece é que depois do vestibular esses jovens esquecem tudo que eles “aprenderam”, pelo simples fato de que isso não é necessário em suas vidas. É um esforço sem sentido. Assim, quem frequenta uma escola democrática geralmente não quer ter que prestar um exame tão competitivo e rígido.



Mesmo depois de passar no vestibular, muitos estudantes universitários japoneses continuam se concentrando apenas em se preparar para conseguir um emprego. Vários deles buscam a todo custo conseguir boas notas em testes de proficiência em inglês como o TOEFL e o TOEIC, porque esses exames são uma boa preparação para conseguir uma vaga de trabalho. Desse modo, para quem estudou numa escola democrática, as universidades tradicionais não são um lugar tão interessante.

Além disso, nas universidades japonesas a estrutura costuma ser muito hierárquica. O professor é quem decide tudo: “no meu seminário, vocês precisarão ler este livro que eu escolhi” e coisas desse tipo são comuns.

Dessa forma, em 1998 um grupo de jovens se reuniu para começar a pensar numa alternativa. Mais da metade deles haviam se formado na Tóquio Shure, e a outra metade estudara em outras escolas democráticas ou haviam sido desescolarizados pelos seus pais. Esse grupo e eu começamos um comitê com o objetivo de criar uma universidade democrática. Todos queriam um lugar configurado para a educação livre num patamar de universidade, mas não existia um lugar assim. Por isso nós decidimos criá-lo. No começo nós tivemos longas discussões: em quais dias iríamos abrir, quanto custaria estudar nessa universidade, como seria o orçamento etc. Depois de conversar muito, no final de 1999 abrimos a universidade Shure. No início nós tínhamos apenas duas salas e seis estudantes. Foi assim que começamos esse processo.

Alex: Queria te perguntar algumas coisas mais específicas sobre como a universidade funciona hoje. Você poderia me descrever o caminho típico de um estudante desde que ele decidiu se matricular na Shure? O que acontece primeiro, e quais são as possibilidades que a universidade oferece para cada um na medida em que eles progridem?

Kageki: Em primeiro lugar, nós pedimos à pessoa para experimentar uma semana na universidade, de modo que ela possa decidir com segurança se ela quer estar lá ou não. Assim, cada novo estudante após a primeira semana pode tomar sua decisão a respeito de permanecer estudando na Shure ou não. Isso é importante porque nossa universidade é muito diferente das outras universidades japonesas. Muitas coisas são diferentes, então geralmente é muito difícil que as pessoas compreendam apenas por meio de palavras. Experimentar é muito mais fácil e permite ao estudante se analisar e então decidir se quer entrar na Shure. Mesmo se os pais de alguém quiserem que eles estudem na nossa universidade, se a própria pessoa não quiser, não faz sentido. Depois dessa primeira semana nós fazemos uma entrevista com a pessoa e perguntamos a ela como foi essa experiência. Se a pessoa então decide por se juntar à Shure, então nós lhe damos as boas-vindas. Não há condições ou restrições de entrada, exceto uma: os novos alunos precisam ter ao menos 18 anos. A condição essencial é a pessoa querer viver a experiência.

Se ela decidir que quer entrar, o primeiro passo é criar seu plano de aprendizado. Isso ocorre geralmente no início do ano letivo, que no Japão é em abril. Assim, cada estudante faz um plano de estudos para o ano, e para isso eles podem pedir ajuda a um professor.

No início do ano, todos os estudantes trazem suas ideias e nós as discutimos com o objetivo de montar o cronograma da universidade para aquele ano. Isso acontece nas reuniões gerais. Desse modo, alguns estudantes podem querer por exemplo ter aulas de filosofia, enquanto outros querem ter aulas de história, ao passo que um outro grupo pode querer criar um projeto de construção de um carro, e todos eles são bem-vindos para trazer qualquer ideia que tiverem. Depois de escutar todas as ideias, nós montamos o cronograma. Geralmente nós temos todo ano por volta de 20 a 30 atividades na agenda, mas não há qualquer obrigação. Talvez um aluno se envolva em 10 a 15 dessas atividades, ao passo que outra pessoa pode se envolver em apenas uma ou duas. A decisão é de cada um. Se a pessoa preferir criar um projeto individual, talvez ela não vá se envolver em nenhuma das aulas ou projetos do cronograma. É claro que, ao fazer isso, ele ou ela pode contar com o apoio dos professores ou de um de nossos mentores.

Nós temos 50 mentores e cada um deles tem sua especialidade: um é advogado, outro é filósofo e assim vai. Além disso, temos quatro professores para 40 estudantes, e nós professores também podemos apoiá-los se eles quiserem.

No início de outubro, um semestre depois do início do ano letivo, nós temos com cada estudante uma sessão de acompanhamento individual, e nessa conversa nós podemos ajudá-lo a ajustar seu plano de aprendizado para o ano, se for preciso.

E depois, no fim do ano letivo, todos os alunos fazem uma apresentação direcionada aos outros estudantes. Não há um formato específico para essa apresentação: se a pessoa quiser dançar, ela pode dançar, se ela quiser tocar uma música ou fazer uma fala com o auxílio do Powerpoint, se ela quiser escrever e apresentar um artigo, ela pode. Não há um formato obrigatório. E os outros alunos podem reagir à apresentação, de modo que cada estudante seja levado a refletir sobre o ano que passou. Um mês depois começa o próximo ano letivo, e assim os alunos que permanecerem começarão uma nova jornada. É um ciclo.

Quanto aos projetos, na Shure atualmente há um tema muito popular: cinema. Há algum tempo um grupo de estudantes começou um festival de cinema internacional. O que eles fizeram foi uma chamada aberta para filmes de todos os lugares, nacionais e internacionais. Os alunos, com a ajuda de um diretor de cinema experiente, escolheram os filmes a serem exibidos no festival. Eles também produziram um filme. Isso foi em agosto.

Em setembro e outubro há um momento de estudos autodirigidos. Geralmente no Japão, assim como em outros países como o Brasil, não é permitido usar o sujeito “eu” ao escrever artigos acadêmicos. Não é permitido escrever coisas como “eu gosto disso” ou “eu penso assim”.

Alex: Sim, isso é muito comum mesmo. Na academia somos impelidos a usar “nós” ou então até mesmo esconder o sujeito e fingir que ninguém está escrevendo aquilo.

Kageki: Sim, mas na universidade Shure, muitas pessoas estudam o eu. Elas buscam investigar e ressignificar o que aconteceu com elas mesmas no passado. Por exemplo: uma aluna começou a se aprofundar no seu complexo de inferioridade relacionado à sua percepção corporal. Ao interpretar algo que aconteceu consigo mesma, ela usou muito o sujeito “eu” em seus textos. Logo, todos são livres para escrever “eu” em seus artigos. Nós temos muitas pessoas cujos estudos estão mais voltados para o eu do que para a sociedade em que estão inseridas.

Em setembro, os estudantes escrevem um ensaio. Em outubro, eles também fazem uma apresentação pública de seus estudos, e nesse momento um filósofo faz um comentário crítico sobre as produções apresentadas.

Em dezembro nós temos um festival de teatro. No ano passado, convidamos uma escola democrática da Rússia para vir ao festival, e eles encenaram algumas peças de teatro russas para nós, e nós encenamos peças japonesas para eles.

Em fevereiro, um grupo de estudantes organiza uma exposição de arte. Temos esse tipo de evento aberto ao público umas quatro ou cinco vezes por ano.

Alex: Entrei no site da Shure e vi que vocês têm quatro tipos de atividades: cursos, projetos coletivos, projetos individuais e o curso “Criando seu próprio estilo de vida”. O que é exatamente o Criando seu próprio estilo de vida? É mesmo um curso ou é uma filosofia que embasa toda a universidade?

Kageki: Muitos estudantes da universidade Shure tem uma grande vontade de encontrar seus próprios caminhos na vida quando vêm até nós. Nossos estudantes estão realmente interessados em duas coisas: uma delas é responder à pergunta “quem sou eu?”. Eles têm esse interesse em comum. A outra coisa que eles querem é criar seu próprio estilo de vida. Essas duas coisas são muito importantes para eles. Por isso, o nome de uma de nossas aulas é “Criando seu próprio estilo de vida”. Contudo, isso não se aplica somente a esse momento, mas também a outros projetos e atividades que temos. Ao participar dos diferentes tipos de atividades oferecidos na universidade, eles estão criando seu estilo de vida.

quinta-feira, 1 de setembro de 2016

Medos infantis devem ser tratados com respeito e sensibilidade



Você sabe como lidar com os medos das crianças? Segundo a psicóloga Verônica Esteves de Carvalho, é importante que sejam tratados com respeito e sensibilidade. Confira o texto assinado pela profissional e publicado no site da Empresa Brasil de Comunicação (EBC): 

Quem, quando criança, nunca teve medo de fantasma, de escuro, de morrer, de perder alguém querido, de ser abandonado? Quem não sentiu medo de médico, de dentista, de injeção ou de fazer coisas ainda não conhecidas? E medo de palhaço, de animais e outros tantos de uma lista infindável?

Se você não se lembra, certamente alguém do seu convívio na infância deve recordar de algum medo que você teve quando pequeno. Os medos fazem parte do mundo infantil, podendo tornar-se insignificantes e sem sentido com o passar do tempo, ou persistir ao longo da vida adulta. Os medos falam de conflitos e da dificuldade em lidar com questões reais ou imaginárias que nos ameaçam física e emocionalmente, e é isso que os faz ganhar tamanha dimensão.

Desde muito cedo as crianças são desafiadas frente aos medos. No entanto, por não terem maturidade para lidar com eles, elas precisam da ajuda dos adultos para sentirem-se seguras e confiantes para encararem e superarem aquilo que temem.

Quando o medo que a criança sente não nos faz sentido, é comum dizermos que tal medo é “bobo” (como o medo de bichão papão) ou desnecessário (quando o medo é de um cãozinho). Se não embarcamos nas fantasias da criança para ajudá-la a reconhecer o que a assusta, podemos cair num discurso vago e ainda corremos o risco de reagir com ira ou desdém, ignorando que por trás do medo há angústia e sofrimento.

Então, como sair dessa situação de impasse?

O uso de histórias sobre medos são um recurso sempre interessante para ajudar driblá-los. Algumas histórias são abordadas de forma direta e outras de uma forma mais sutil, deixando sua mensagem nas entrelinhas. Ambas são ricas, e não temos como saber de antemão qual pode ser mais atrativa para a criança.

Entre tantas histórias, há uma série escrita por Ruth Rocha e Dora Lorch que pode ajudar a criança a falar, encarar e até mesmo superar seu temor. São livros que abordam medos que representam conteúdos íntimos de uma criança como o abandono (Ninguém gosta de mim?); medos criados em relação a procedimentos nunca experimentados, como ir ao dentista ou já vivenciados com certa ansiedade, como o retorno ao médico (Será que vai doer?); medos que temos e não sabemos – de fantasmas e bichos que não existem, mas que estão dentro de nós e podemos combatê-los (Fantasma Existe?); e, medos que representam perigos reais da vida e são importantes para nossa proteção, como por exemplo, cair na piscina e se afogar por não saber nadar, atravessar a rua e ser atropelado (Tenho medo mas dou um jeito).

Através das histórias, as crianças percebem que não são as únicas a sentir determinado medo. Elas podem brincar com ele, rir dele, contar e criar outras histórias que o coloque num lugar diferente daquilo que ela vive, e ainda incrementar a “conversa” com outras formas de expressão, como o desenho, a pintura e o teatro.

Logo, precisamos ouvir as crianças em suas “argumentações” – muitas vezes ilógicas – e permitir-lhes que expressem física e verbalmente o que estão vivenciando. Os medos falam de sentimentos que as crianças estão experimentando e devemos conversar a respeito para que possam desmistificar conceitos e fantasias, pontuar, nomear e entender seu significado. Assim, ajudamos as crianças a elaborarem estes medos, que irão paulatinamente – cada qual em seu ritmo – diminuindo sua intensidade e até mesmo desaparecendo.

Expressar os medos é de extrema importância; dizer sobre seus sentimentos é fator de proteção física, emocional e social para que as crianças possam se desenvolver e criar relações seguras que servirão como base para estar no mundo de forma ativa e autoconfiante.