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quinta-feira, 30 de abril de 2015

Projeto Horta Vertical



O objetivo da atividade é os alunos aprenderem a construir um projeto passando por todas as etapas até a conclusão. Essa é uma educação para a vida. Os participantes do "Projeto Horta Vertical" são a professora Fernanda Aguiar e os alunos Gabriel Piccirillo e Christian Burmaian.
A experiência é nova para alunos e professores, que antes não trabalhavam assim. É ensinar e aprender juntos. O tema do projeto é escolhido por eles, sendo que optaram por manjericão para a horta porque pretendem fazer um macarrão ao pesto com o alimento que plantaram. 

O próximo projeto será a fabricação de um repelente natural contra mosquitos por causa da dengue, para ser usado pelas pessoas do Espaço Educacional.

Etapas do projeto:

1 - Pesquisar na internet sobre o assunto;

2 - Providenciar material: reaproveitar (garrafa PET, fios de mouse velhos, reforço emborrachado, pedaço de madeira) e comprar (terra, sementes, fósforos);


3 - Experimentar com o material que tínhamos (sucata) como faríamos;

4 - Construir, improvisando técnicas para substituir as ferramentas e materiais que não tínhamos para furar as garrafas PET, para serrar a madeira e furá-la;


5 - Plantar;


6 - Pintar a madeira;

7 - Regar;

8 - Pendurar (colocar pregos na parede, em um local ensolarado);

9 - Cuidar (todos os dias): de manhã, colocar ao sol; na hora do almoço, recolher e colocar na sombra/regar.

quarta-feira, 15 de abril de 2015

Espaço Educacional e Descobrindo o Sonho Jovem, uma parceria de sucesso


Confira detalhes da parceria entre o Espaço Educacional e o Descobrindo o Sonho Jovem. O texto é da Jamile Coelho, diretora do EE:

O Descobrindo o Sonho Jovem (DSJ) foi criado por Gustavo Torres e João Araujo, de apenas 17 anos, que tiveram a iniciativa de construir um projeto para mobilizar jovens que estudavam com eles numa escola pública do Capão Redondo e mostrar que é possível acreditar em seus sonhos e lutar para realizá-los. A iniciativa começou com encontros e várias ferramentas de autoconhecimento que eu pude ajudá-los a aperfeiçoar. 

Tive a oportunidade de conhecer o Gustavo em um evento do Ismart e me ofereci para fazer o seu Perfil Cognitivo, que dá um mapa do potencial das pessoas. Aí ele me pediu que fizesse o do João também, pois eles haviam construído o DSJ juntos. Fiz o perfil cognitivo do João e um estudo comparativo dos dois, que mostrou o quanto se complementam. Está aí uma parceria de sucesso que acredito muito e que quero ajudar a potencializar!

Em seguida, participei do Design Thinking Weekend do Gabriel Coelho e levei junto comigo esses jovens que tiveram uma participação ímpar! Eles aprendem e imediatamente já colocam em prática! E assim, levaram essa prática do design thinking para o DSJ.

É impressionante como me sensibiliza ver a liderança de jovens da geração Z que já apresentam consciência social e capacidade de viver em rede, exercitando o espírito de colaboração e inclusão de forma tão natural e espontânea. É só acessar o que já existe dentro deles. E, eles fazem isso de forma muito eficaz!

No inicio do ano, Gustavo e João me perguntaram se podia aplicar o teste do Perfil Cognitivo nos jovens do DSJ. E assim nasceu um trabalho que tenho feito, com muito carinho, com o grupo. 

Em fevereiro, fizemos o workshop do Perfil Cognitivo e todos saíram daqui com os olhos brilhando de alegria por se conhecerem melhor e isso já criou uma grande sinergia no grupo. No fechamento do workshop, me pediram uma continuidade com foco em Vocacional.

Agora em abril, realizamos o workshop do Vocacional e percebo o crescimento e a evolução deste grupo de jovens no autoconhecimento e na capacidade para fazer escolhas inteligentes para sua vida.

No próximo mês, o workshop terá como tema Inteligência Emocional e assim tenho o privilégio de participar da formação destes jovens e ajudá-los a escreverem sua história de vida. 



Sou muito grata por chegarem à minha vida oportunidades como esta!

Confira alguns depoimentos dos jovens do DSJ no workshop do Vocacional:



“Até ontem, eu só sabia meu nome. Hoje, descobri o que sou e o que quero ser” - Giselle Fernanda L. de Barros



“Essa experiência é simplesmente fantástica. As etapas pelas quais você passa fazem você se conhecer muito melhor, realmente esclarecedor” - Pedro Henrique dos Santos Kondrat Ferreira



“O dia de hoje esclareceu as minhas dúvidas e reforçou minhas certezas, deixando-me mais confiante em minhas escolhas” - Stephany Caroline Andrade Santos



"O Espaço Educacional me mostrou que eu posso fazer história também, sentir, saber lidar com as emoções” - Lucas Rodrigues de Pinho



"Foi simplesmente mágico! Todas as dúvidas viraram certezas e isso é muito bom” - Matheus dos Reis Bassi



"Valeu cada segundo de autoconhecimento. Só tenho o que agradecer, pois hoje eu sei que os meus erros só me fazem ser melhor” - Julia Oliveira Andrade


"Atividades que tornaram meu dia gratificante e direcionador” - Felipe Brito de Almeida




"Me ajudou com as emoções e a descobrir mais sobre mim” - João Paulo Andrade

quinta-feira, 9 de abril de 2015

7 frases de uma Jornada Interior



Nesta semana, compartilhamos com vocês "7 frases de uma Jornada Interior", de Diego Macedo, da Escola de Rua:

1 - Se a vida está sendo violada em algum sentido é porque algum pedido interior não está sendo atendido.

2 - A responsabilidade compartilhada abre caminhos de cuidado com outros.

3 - Todo ruído, toda a angústia interior é uma oportunidade.

4 - Podemos mover regras já estabelecidas.

5 - Sempre posso assumir que não sei e esse estado de vulnerabilidade pode fazer as pessoas se conectarem e a partir daí surgirem novas realidades.

6 - Cuide de quem está cuidando de você.

7 - Criar estratégias para atender as necessidade traz sentido e força para viver.

quinta-feira, 2 de abril de 2015

Na Finlândia, competência toma lugar do conteúdo



Nesta semana, compartilhamos o texto do Porvir que fala sobre o redesenho do sistema educacional finlandês, que coloca projetos transversais à frente de disciplinas:

Experimentar e não ter medo de falhar é um lema repetido com certa frequência por empreendedores. Na educação, até pelo número de envolvidos diretamente no processo, a estratégia costuma ser deixada de lado. Não na Finlândia. Apesar de figurar entre os 10 melhores em ciências e leitura no PISA (sigla em inglês para Programa Internacional de Avaliação de Alunos, exame realizado pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico), o país começa a pôr em prática uma nova maneira de ensinar, na qual disciplinas e o conteúdo perdem espaço para competências e alunos ganham papel ativo na avaliação.

Na última semana, uma reportagem do jornal britânico The Independent trouxe pistas sobre o novo plano finlandês: tópicos, como “mudança climática” e “centenário da independência da Finlândia” começam a receber mais ênfase do que a transmissão de conteúdo por meio da rigidez das disciplinas. Em um passo além do que hoje acontece por no mínimo dois períodos ao ano nas chamadas “aulas de fenômenos”, a grade horária se torna mais flexível para que o estudante entre em contato com conceitos de economia, história, geografia e línguas estrangeiras de modo transversal com a ajuda de temas do cotidiano. A partir de 2016, novas diretrizes curriculares vão induzir a implantação de aulas e práticas colaborativas com diversos professores trabalhando simultaneamente com um mesmo grupo de alunos. Na capital do país, Helsinque, 10 escolas já aplicam essa metodologia, enquanto outras dão os primeiros passos.

Para saber mais sobre as mudanças em curso, Porvir conversou com Marjo Kyllönen, secretária de educação da cidade, a maior rede do país, com 198 escolas, 36.000 alunos e 3.000 professores. Kyllönen explica que o plano é mudar o foco, sair do ensino tradicional que forma indivíduos prontos para obedecer e partir para uma solução inovadora que ajude no progresso da sociedade finlandesa. A representante de Helsinque detalha ainda mudanças no modo de avaliar professores, que passariam a ter feedback da própria classe. Medo de dar errado? “Eu não tenho medo. Esse novo jeito de ensinar permite resultados muito melhores em diferentes áreas, porque você passa a aprender sobre determinado tema para a vida e não somente para a escola”. Leia a entrevista abaixo:

Porvir – Por que vocês estão fazendo essas mudanças agora?
Marjo Kyllönen - Precisamos mudar a maneira de ensinar e o trabalho que é feito dentro da sala de aula. Claro, ainda é necessário conhecimento em matemática e ciências, mas agora o foco é garantir às crianças as habilidades necessárias para a sociedade do futuro. O modo tradicional de ensino foi feito para a era industrial, com todos os trabalhadores fazendo a mesma coisa e se mostrando obedientes, mas para o amanhã e para o futuro é necessário fazer diferente e desenvolver habilidades individuais e, ao mesmo tempo, demonstrar colaboração, capacidade de inovar, ter coragem para fracassar e encontrar novos modos de fazer as coisas. É por isso que acredito que a Finlândia ocupa a parte de cima de rankings como o PISA (sigla em inglês para Programa Internacional de Avaliação de Alunos) . Não podemos sentar e ficar só esperando e, sim, trabalhar no redesenho do sistema educativo.

Porvir – Como as mudanças têm sido implementadas?
Kyllönen – Quando falamos de Helsinki, nos referimos a dez escolas que adotaram esse tipo mais abrangente da metodologia, com aulas de fenômenos substituindo de modo abrangente as disciplinas no currículo. A grande maioria, no entanto, já tem realizado um trabalho experimental: o critério mínimo é que cada estudante participe em dois processos a cada ano letivo, da primeira à nona série [período que compreende a educação obrigatória]. Esse trabalho deve durar pelo menos duas semanas e envolver diferentes disciplinas. Quando levamos esse assunto às escolas, falamos sobre o que muda no dia a dia, do papel mais ativo dos alunos, de como o conteúdo não é tão importante quanto se pensa e, principalmente, para que os líderes [das escolas] não tenham medo de falhar, porque quando se começa algo novo, não se sabe quais serão os resultados.

Porvir – Como vocês preveem o impacto dessas mudanças em exames internacionais como o PISA?
Kyllönen – Uma parte da resposta é que depende do que o PISA vai avaliar. Se continuar a verificar o aprendizado de habilidades do dia a dia, penso que continuaremos em boa posição no ranking. Se quiserem acompanhar conhecimento em matemática, tudo bem, não vamos deixar de lado essas habilidades básicas. Só que faremos isso de um jeito diferente e nosso objetivo é que os resultados em escala global nos permitam ficar entre as dez primeiras posições e, por que não, na liderança [risos]. Eu não tenho medo. Esse novo jeito de ensinar permite resultados muito melhores em diferentes áreas, porque você passa a aprender sobre determinado tema para a vida e não somente para a escola.

Porvir – Existe alguma data para que todas as escolas sigam a nova metodologia em seu nível mais amplo?
Kyllönen – Não temos um prazo. Estamos discutindo e reimaginando a educação há anos e agora a proposta ficou suficiente madura. Minha experiência mostra que quando o professor aprende a desenhar essas aulas de fenômenos, ele não quer voltar para o modo tradicional de ensino. Mesmo quando está sozinho, ensinar matemática de um jeito diferente é o mais importante, porque alunos ficam mais motivados e têm melhor desempenho. Estamos dando pequenos passos e, em agosto de 2016, um novo currículo será implementado e começaremos a ensinar a partir dele. Sei que temos mais escolas que planejam adotar um currículo baseado em “fenômenos” para todas suas atividades. No momento temos dez, mas a maioria começa a fazer alguma coisa.

Porvir – Como é o trabalho para convencer professores a mudar sua filosofia de trabalho?
Kyllönen – Essa é uma questão que também tem sido trabalhada há algum tempo. Além de responsável pela educação em Helsinque, também sou pesquisadora e fiz minha tese de PhD sobre liderança escolar. A meu ver, os principais agentes de mudança são os líderes escolares. Em 2005, adotamos um nova organização em todas as escolas: temos um grupo formado por diretor, vice-diretor e, abaixo deles, líderes de equipe. Ao mesmo tempo, existe um grupo de 50 professores-tutores, supervisionado por especialistas do meu departamento, que trabalham em sala de aula e ainda fazem um trabalho de desenvolvimento profissional promovido pelo município. Eles vão até as escolas para dar exemplo de como implementar as aulas de fenômenos. Nós fazemos assim porque eles podem dizer “Eu já fiz isso na aula e funciona dessa maneira, estas são as dificuldades e desafios” e não fica parecendo que é o nível mais alto da hierarquia dando ordens. Quando a informação vem do chão da escola, os professores se convencem de que é possível e ficam mais motivados.

Porvir – E qual a opinião dos pais dos alunos?
Kyllönen – Na Finlândia, temos o privilégio de ter uma sociedade que valoriza a educação e os professores. Existem algumas escolas que estão dando apenas os primeiros passos e outras muito avançadas nessa reforma de suas rotinas. A resposta dos pais, no entanto, é muito satisfatória porque seus filhos estão verdadeiramente motivados.

Porvir – Que tipos de tópicos os alunos vão trabalhar?
Kyllönen – A base curricular comum da Finlândia permite à autoridade local decidir os rumos da educação e a autoridade nacional dá apenas as diretrizes. Antes das aulas de fenômenos, professores e tutores se envolvem no planejamento para escolher as disciplinas, objetivos e conteúdos que serão trabalhados. A palavra final fica por conta das escolas. Não obrigamos a fazer isso ou aquilo. Até mesmo os alunos podem definir quais serão os tópicos do currículo, pois podem aprender um mesmo conteúdo com a ajuda de diferentes tópicos. Então, não há necessidade que a autoridade municipal defina o que será visto na sala de aula.

Porvir – Falando um pouco mais sobre novas maneiras de ver o aprendizado, a França discute abolir notas de avaliação. Vocês pensam em fazer algo parecido?
Kyllönen – Na Finlândia não fazemos ranking de escolas. Em vez resultados individuais, pensamos no processo de aprendizagem. Uma das principais maneiras de se fazer isso é torná-lo mais perceptível, orientar estudantes e dizer a eles em quais áreas estão bem, quais são suas dificuldades e como podem resolvê-las. Enfatizamos o processo, não o resultado em si. Esse é nosso principal conceito de avaliação. Claro, no final de cada ano escolar, eles recebem suas notas para saber em que nível estão, mas não para se comparar com os colegas, e sim para entender se os objetivos traçados no início das aulas foram cumpridos. Como eles podem criar um plano individual de estudos, os objetivos são diferentes daqueles dos colegas. Nosso ethos para avaliação é bem singular e vemos esse processo como oportunidade de guiar a aprendizagem. Deve-se dar aos alunos meios para autovaliação e o professor não deve ser o único responsável por ela, que também deve acontecer entre pares, por meio de feedback entre colegas. Além disso, vemos que é importante que o professor seja avaliado pelos pupilos — e não só por seus chefes — e é o que buscamos enfatizar para o futuro.

quinta-feira, 19 de março de 2015

O descompasso entre a escola regular e o mundo atual



A carta do artigo de Renato Carvalho retrata uma realidade: o descompasso entre a escola regular e o mundo atual. Este pai teve muita sensibilidade, lucidez e sabedoria para retratar o que muitos pais e educadores sentem. Vamos refletir um pouco sobre isso?

Clarice querida,

O mundo está mudando rápido. Bem mais rápido que as nossas escolas. Há tantas delas que ainda não perceberam que este mundo internético em que hoje vivemos é radicalmente diferente do mundo desconectado de algumas poucas décadas atrás e que nossa Educação agora pode e precisa ser muito melhor.

Grandes ideias não faltam: escolas na nuvem na Índia, aulas sem turmas nem professores em Portugal, salas-de-aula invertidas nos Estados Unidos, brinquedos que ensinam crianças a programar computadores na Inglaterra, milhares de pessoas do mundo todo fazendo juntas cursos de nível superior!

Mas é preciso querer ver a necessidade de mudar, e isso demora. Por mais que eu esteja otimista, não acho que os anos que te restam na escola sejam tempo suficiente para essa onda de renovação se espalhar pelo Brasil e chegar à tua sala-de-aula.

Vai ser por pouco… Você é parte da última geração de alunos da escola do passado. Ou seja, alunos de um modelo de educação igualzinho ao que eu tive, e que também foi o mesmo dos teus avós, teus bisavós, teus trisavós.

Mas se não dá para evitar que as manhãs da tua infância sejam gastas em aulas chatas e desestimulantes, você pode pelo menos ficar alerta aos defeitos desse modelo. Assim, enquanto você aproveita o que a escola pode te oferecer de bom, vai conseguir impedir que ela te ensine algumas coisas que a mim custaram muitos anos para desaprender.

Não deixe que a escola te ensine que conhecimentos podem ser compartimentados, separados em caixinhas, isolados uns dos outros.
Na escola do passado, a matemática acaba quando começa a física e a geografia acaba quando começa a história. No mundo, há biologia no esporte, matemática na música, história na literatura, gramática na programação de computadores… Por isso, depois de ver algo de perto, dê sempre um passo para trás, perceba as relações, enxergue o todo.

Não deixe que a escola te ensine que alguns conhecimentos são mais importantes que outros.
Na escola do passado, para cada aula de artes há duas de geografia e para cada uma de geografia há duas de matemática. Música, artes plásticas, esportes, religião, filosofia são tratados como matérias de “segundo time”. Quantos grandes artistas e esportistas foram vistos como maus alunos e forçados a abandonar seus talentos porque o conhecimento que lhes interessava não era o mesmo que interessava à escola! Persiga teus interesses mesmo que eles não interessem a mais ninguém.

Não deixe que a escola te ensine que há um momento específico para aprender cada coisa.
Na escola do passado, quem não consegue acompanhar a turma é tido como um fracassado e quem quer avançar mais rápido é freado, impedido. Ela exige que todos aprendam o mesmo ao mesmo tempo. Mas as pessoas não são todas iguais. Você pode ter mais facilidade que os colegas em um determinado assunto e menos em outro. Não deixe que te empurrem nem que te segurem. Respeite teu próprio ritmo de aprendizado.

Não deixe que a escola te ensine a decorar.
Ao contrário, esqueça tudo que puder. O homem dominou o planeta porque foi capaz de fabricar ferramentas que estenderam os limites das nossas mãos e pés. Agora, fomos ainda mais além e fabricamos ferramentas que estendem os limites do nosso cérebro. Não precisamos mais desperdiça-lo usando-o como um depósito de nomes, datas e fórmulas; hoje podemos aproveitar todo o potencial dele para analisar, criticar e refletir o mundo de informações que podemos acessar com um clique. A Internet é o teu HD, o cérebro é o teu processador.

Não deixe que a escola te ensine a te contentar com pouco.
Na escola do passado, as consequências de tirar nota 10 ou nota 7 são as mesmas. O aluno excelente passa de ano da mesma forma que o mediano, com, no máximo, um elogio da professora. Assim, aos poucos os alunos vão ficando satisfeitos em “passar por média”. Nunca fique contente com a média. Dê teu melhor sempre, em tudo o que fizer (inclusive nesses poucos anos que ainda te restam na escola do passado). No mundo, ao contrário da escola, a excelência faz muita diferença.

Não deixe que a escola te ensine a acreditar que ela é suficiente.
A escola do passado lamentavelmente abdicou da missão de preparar os alunos para o futuro e se limita a tentar prepará-los para o vestibular ou o ENEM. Mas a tua vida produtiva começa exatamente depois desse ponto e para ser bem sucedida nela você precisará de muito mais do que ciências, matemática, português, história e geografia. O futuro vai exigir que você tenha uma boa noção dos teus direitos e deveres para cumprir teu papel de cidadã, conheça um pouco de economia para saber gerenciar teu dinheiro, aprenda sobre empreendedorismo para fazer tuas ideias virarem realidade, tenha consciência global para compreender teu lugar no mundo, domine a Internet enquanto ferramenta de comunicação e muito mais. Há muitos conhecimentos que não estão na escola. Procure-os onde estiverem.

Não deixe que a escola te ensine que provas são capazes de medir a tua capacidade e inteligência.
A história está repleta de gênios que foram tidos como maus alunos. Eles eram considerados incapazes nas suas escolas porque estavam à frente delas e, portanto, não podiam ser medidos pelos seus testes. As provas da escola do passado servem para provar quem está mais adequado ao mundo do passado.

Não deixe que a escola te ensine que você não tem nada a ensinar.
Na escola do passado os alunos são separados em séries de acordo com suas faixas etárias e isso praticamente impede a interação entre idades diferentes. Colegas um pouco mais velhos têm muito a te ensinar e, o que é ainda mais importante, os mais novos têm muito a aprender contigo. E ensinar é a forma mais eficiente de aprender. Quando um professor detém o monopólio do ensino, ele te rouba inúmeras oportunidades de aprender ensinando e ensinar aprendendo.

Não deixe que a escola te ensine que errar é ruim.
Provas fazem isso o tempo todo, sem que os alunos percebam. Do jeito que são feitas, elas servem apenas para apontar e punir nossos erros e desperdiçam a oportunidade de nos ajudar a aprender com eles. O resultado é que aos poucos vamos nos acostumando a não arriscar e a evitar erros a todo custo. Não há nada pior para o aprendizado do que o medo de errar. Erre! Erre de novo! Erre à vontade. Erre quantas vezes forem necessárias até acertar.

Não deixe que a escola te ensine a ser apenas consumidora de ideias.
A escola do passado se limita a ruminar as ideias dos outros. Diariamente, aula após aula, os alunos mastigam, engolem e digerem um enorme cardápio de informações. Não há nenhum espaço para que eles gerem conhecimento, produzam pensamentos, criem ideias, somem. Os alunos são tratados como se fossem incapazes disso e logo se convencem dessa incapacidade. O mundo do futuro é o mundo da troca. Nele, os bem sucedidos não serão os que forem capazes de acumular mais ideias, mas os que forem capazes de distribuir mais. Escreva, desenhe, cante, dance, filme, blogue, fotografe, pinte e borde. Crie, produza, pense, gere, compartilhe.

E o mais importante de tudo, minha filha: não deixe que a escola te ensine que aprender é a mesma coisa que ser ensinado.
Toda criança nasce uma esponjinha de conhecimento ávida para absorver os comos e os porquês de tudo que vê. Essa curiosidade sem fim, essa fome de aprender costuma durar até o exato momento em que ela passa pela porta da sala de aula da primeira série da escola do passado. É nesse momento que as crianças são convencidas que aprender não é experimentar, sentir e sujar as mãos de terra ou tinta, como faziam até agora, mas sim sentar silenciosamente em cadeiras alinhadas e ser ensinado por um professor que é o dono de todo o saber e que decide sozinho a hora de começar e de parar de estudar cada assunto. O aprendizado não vem mais da interação da própria criança com o objeto que ela está conhecendo. Agora, ele é “transferido”. A criança não faz mais perguntas, ouve respostas. A busca do conhecimento não começa mais nas interrogações dos alunos, mas nas afirmações do professor; o estudo não mais se inicia na curiosidade, mas na autoridade. A criança não está mais no comando do seu aprendizado, ela não é mais um sujeito ativo no ato de aprender, é um sujeito passivo do ato de ensinar do professor. Em resumo, a criança não mais aprende, é ensinada. Não abra mão da direção da tua vida. Viver é aprender e você tem autonomia (ou seja, a liberdade e a responsabilidade) para decidir o que aprender e, portanto, como viver. Não a ceda a ninguém.

Se você conseguir impedir a escola de te ensinar essas coisas, vai acabar descobrindo que vida escolar é diferente de vida de aprendizado. E então, terá a vida inteira para desfrutar dessa incrível Era do Conhecimento que está apenas começando.

Te amo.

Teu pai

quinta-feira, 12 de março de 2015

Workshop Perfil Cognitivo


WORKSHOP PERFIL COGNITIVO - um mapa do seu potencial
Data: 24/03/2015 (3ª feira)
Nº de participantes: 10 pessoas
Horário: das 18h às 22h
Local: Espaço Educacional - Rua Gomes de carvalho, 345 na Vila Olimpia
Objetivo: Viagem Colaborativa a Findhorn
https://www.facebook.com/events/1550999881826382/

O Perfil Cognitivo foi desenvolvido como resultado de muitos anos de estudo, experimentação e avaliação, sempre com o objetivo de descobrir recursos e ferramentas que propiciassem um aprendizado com prazer e produtividade. Trata-se de uma poderosa ferramenta que desperta e desenvolve o autoconhecimento de uma maneira leve, prazerosa, extremamente prática e eficiente.

Este recurso mapeia a forma como pensamos, aprendemos e agimos, indicando também nossas principais habilidades e interesses. É formado por um conjunto de testes e pela associação de seus resultados com situações do dia a dia.

Acreditamos que nosso modo de pensar é único e que cada cérebro absorve, organiza e reage às informações do seu jeito. Daí a necessidade de descobrir o “nosso jeito” de pensar, estudar, aprender, sentir e relacionar. 

O Perfil Cognitivo é um mapa nessa aventura de autoconhecimento, na busca de quem você é, de como você é e como pode revelar e explorar o que tem de melhor. 

O objetivo é que o trabalho de autoconhecimento torne-se um hábito diário, desenvolvendo a capacidade de pensar sobre suas atitudes e avaliar seus pontos fracos e fortes diante de situações-problema. 

Para melhor organização e apresentação dos resultados, dividimos esse mapeamento em três partes: Estilos de Aprendizado, Estilos de Raciocínio e Inteligências Múltiplas.

quinta-feira, 5 de março de 2015

Conheça mais o EE



Diego Macedo, da Escola de Rua, hoje é um professor e educador no Espaço Educacional e fez quatro perguntas para a pedagoga Jamile Coelho, diretora do Espaço Educacional. Confira abaixo as respostas, que foram discutidas com toda a equipe do EE. O resultado foi uma integração e sincronicidade entre todos os educadores. Confira:

1. Qual é a questão que está por trás do “chamado” ou propósito do Espaço Educacional ?

O que está por trás de tudo que fazemos é olhar o ser humano em primeiro lugar e construir um vínculo afetivo para ensinar e aprender. Atendemos as necessidades de quem chega de forma personalizada, levando a pessoa por um caminho de aprendizado em que se sinta motivado (“brilho nos olhos”) e descubra seu potencial (autoconhecimento), criando “asas para voar” (autonomia). E, principalmente descubra que tem luz própria! Acho que três palavras resumem este chamado: Aprendizado para a vida, autoconhecimento e inovação.

O EE tem uma missão há muitos anos: “Educar com competência, criatividade e afetividade.”

2. Para que esse chamado ou propósito aconteça, o que está faltando?

Está faltando uma expansão, ou seja, que mais pessoas que venham à procura de nosso trabalho. Acredito que muitas pessoas ainda pensam que aqui é um lugar de reforço escolar. Não enxergam verdadeiramente o que fazemos com muito amor e competência.

O que está aprendendo sobre si mesma no Espaço Educacional?

Aprendo a cada dia que eu já enxergava coisas que estão vindo à tona agora (educação para a vida de uma forma diferente da tradicional), quando todos pensavam que eu ia ter uma escola e eu sabia que não era uma escola que eu queria. Na época, não sabia definir, mas não tive medo de ir em busca do meu sonho, sempre construindo com outras pessoas, os inúmeros professores que já passaram pelo EE, e que, quando saíam, afirmavam que aqui era o lugar que mais haviam aprendido o que era ser um educador.

Aprendi também que reflito no EE muito do que eu sou (criativa, afetiva, inovadora) e minhas dificuldades (equilibrar os hemisférios cerebrais), pois sou muito emocional, intuitiva (Lado Direito do cérebro) e preciso desenvolver a parte racional (Lado esquerdo do cérebro).

4. Quais os próximos passos no Espaço Educacional?

Entre os próximos passos estão:

a) Trazer aos poucos para o EE o aprendizado em rede de forma colaborativa e inclusiva;

b) Abrir espaço para um coworking para educação inovadora, ou seja, utilizar todo nosso espaço de aprendizagem para que outras pessoas que tenham os mesmos valores e crenças utilizem (manhã, tarde, noite e finais de semana) e promovam uma circulação de energia;

c) Apresentar para as pessoas o que fazemos por meio de vídeos no canal do Espaço Educacional no youtube e pelo face e blog do EE, atualizar o site do EE e outras ideias que forem surgindo;

d) Aumentar o número de alunos do Projeto Recomeçar é uma necessidade, pois é um projeto que resgatamos o ser humano que por algum motivo estava excluído e com bloqueio no processo de aprendizagem.